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FOTOGRAFIA

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     Embora outros autores sejam citados neste trabalho, em relação à análise e interpretação de fotografias, a base teórico-metodológica desta proposta é a trilogia de Kossoy (2014, 2016, 2018). Nessa perspectiva, Kossoy (2014) diz que a fotografia se presta e, desde sua invenção, se prestou ao registro amplo da experiência do homem, pois

      A memória do homem e de suas realizações tem se mantido sob as mais diferentes formas e meios graças a um sem número de aplicações da imagem fotográfica ao longo dos últimos 170 anos (KOSSOY, 2014, p. 132).

     Logo, a imagem fotográfica significa a oportunidade de leitura e releitura de um tempo passado, próximo ou remoto, porém, que teve significado e motivo para sua elaboração. Não fosse a deterioração a qual estão suscetíveis as fotografias pelo material utilizado para sua produção e pelas formas de conservação, poderíamos dizer que elas são fontes históricas e documentais perpétuas. 

     Kossoy (2018) explicita que por trás da aparência da fotografia está depositada uma dimensão além do que se pode ver no registro da imagem. O autor apresenta iconografia e a iconologia como duas vertentes de análise capazes de desvendar questões explícitas e implícitas da fotografia. 

     A iconografia representa, além da oportunidade de reconstituição das partes visíveis que compõem o todo da imagem, a recuperação do contexto em que a fotografia foi produzida, enquanto a iconologia busca a recuperação de informações mais profundas e contextuais dentro da imagem. Essas duas leituras são encaradas por Kossoy (2018) como análise iconográfica e interpretação iconológica.

     A análise iconográfica (Kossoy, 2018) é o estudo das características estéticas das imagens, o qual busca o detalhamento sistemático e a realização de um inventário de seus elementos formativos. Nessa atividade, a de análise iconográfica, prevalecem os aspectos descritivos e literais e os assuntos são situados no tempo e no espaço. Kossoy (2018, p. 110) explicita que a análise iconográfica “no caso da representação fotográfica situa-se a meio caminho da busca do significado do conteúdo; ver, descrever e constatar não é o suficiente”. Dondis (2015), ao propor uma sintaxe da linguagem visual, inclusive para a análise da fotografia (DONDIS, 2015, p. 3), contribui com a análise iconográfica, a partir da construção de um  

 

     Sistema básico para a aprendizagem, a identificação, a criação e a compreensão de mensagens visuais que sejam acessíveis a todas as pessoas, e não apenas àquelas que foram especialmente treinadas, como o projetista, o artista, o artesão e o esteta (DONDIS, 2015, p. 3).

 

     A interpretação iconológica como uma leitura mais profunda das imagens analisadas. Neste ponto, existe a preocupação com a construção de sentidos expressos pelo texto imagético, considerando os aspectos sociais, históricos e culturais. Assim, a busca pelo significado da fotografia vai além da análise iconográfica, e adentra no campo de maior profundidade, o das ideias e das ideologias. Portanto, “é este o estágio mais profundo da investigação, cujos limites não são cristalinamente definidos” (KOSSOY, 2018, p.110). Para ilustrar as ideias de Kossoy (2018), apresento, na figura abaixo, um quadro proposto pelo autor, que contempla a análise iconográfica e a interpretação iconológica.

 

Quadro sobre análise iconográfica e interpretação iconológica

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Fonte: Kossoy (2018, p. 137)

 

     A figura acima demonstra as camadas de significação entre a análise iconográfica, ou seja, a realidade exterior ou segunda realidade, e a interpretação iconológica, que busca a descoberta do oculto a partir da exploração da realidade interior ou primeira realidade. 

     Kossoy (2018) aponta que a união da iconologia e da iconografia compõe a leitura de uma imagem fotográfica. Vale ressaltar que a realidade mostrada na fotografia não é fidedigna, e, sim, representação do que foi o momento da gênese.  Nesse sentido, o autor diz ainda que é importante que se compreenda a representação fotográfica 

    Dondis (2015) esclarece a possibilidade de se realizar a leitura de uma imagem fotográfica, assim como afirma ser possível ler outras imagens. A autora sugere, inclusive, o controle do “assombroso potencial da fotografia” por meio da existência de uma sintaxe visual. Nessa perspectiva, Dondis (2015) diz que o alfabetismo visual está relacionado ao compartilhamento de um significado atríbuído a "um corpo comum de informações (Dondis, 2015, p.3).

      Em consonância a Dondis (2015), Santaella (2015) explicita uma proposta que inclui a fotografia dentro do campo de análise de imagens, pois uma vez diante da fotografia, trata-se de buscar a unidade melódica de suas luzes, linhas e direções, suas escalas e volumes, seus eixos e suas sombras, enfim, contemplar a atmosfera que ela oferta ao olhar, pois a significação imanente dos motivos e temas fotografados é inseparável do arranjo singular que o fotógrafo escolheu apresentar (SANTAELLA, 2015, p. 80).

      Professor (a), na implementação das atividades de intervenção, fomente entre seus alunos a busca pelos sentidos tanto na leitura quanto na produção de fotografias, além da análise das diferentes formações familiares com a intenção de ampliar esse conceito. Para tanto, apresente os seus alunos, por meio de diálogos e reflexões, as técnicas de leitura de imagem (DONDIS, 2015; SANTAELLA, 2015), e as formas de leitura propostas por Kossoy (2018). 

      Enfim, a análise de fotografias se apresenta com uma pertinente possibilidade para o ensino de leitura de imagens, além de instrumento para ampliação do conceito de família mediado pelo reconhecimento da história familiar do aluno e pela noção das transformações nas configurações familiares.

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      Professor (a), sugiro a leitura do material referenciado abaixo:

DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. Tradução Jeferson Luiz Camargo. 3ª ed.  São Paulo: Martins Fontes, 2015.

KOSSOY, Boris. Os Tempos da Fotografia. São Paulo: Ateliê Editorial, 2014.

KOSSOY, Boris. Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016.

KOSSOY, Boris. História da Fotografia. Ateliê Editorial, 2018.

SANTAELLA, Lúcia. Leitura de Imagens. São Paulo: Melhoramentos, 2015.

© 2023 by Caroline Matos.

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