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TRANSFORMAÇÕES NAS CONFIGURAÇÕES FAMILIARES

     O reconhecimento da história das nossas famílias pode nos dar subsídios suficientes para compreender por que as situações presentes se dão da forma como são. Embora crianças e adolescentes façam parte de uma história recente dos âmbitos familiares em que estão inseridos, existe uma participação, garantida pela própria existência e convivência do ser, para a construção daquela instituição. Dentre tantos conceitos e tantas teorias privilegiadas pela escola, as ações cotidianas dos alunos e seu contexto de atuação, muitas vezes, deixam de ser alvo de exploração. 

     As famílias apresentam diferentes configurações e formações e fomentar ações de respeito e aceitação das diferenças é um dos desafios dos educadores. As concepções tradicionais já não cabem aos bancos escolares; uma configuração familiar heterogênea não mais pode ser relegada à negação de existência.

   As formas de viver das pessoas, na atualidade, legitimam a construção de diversificados tipos de famílias, um pai e um filho, duas mães e uma filha, dois adultos, um casal homossexual, entre outros formatos, são família. Independentemente das configurações familiares do presente ou do passado, todos os seres humanos fazem parte ou são provenientes de um grupo de acolhimento, e que aqui chamamos de família. Compor esse grupo dá ao ser a condição necessária para, em consonância aos outros membros, compor a história familiar.

     Estudar o passado é desenvolver as percepções dos fatos anteriores ao que estamos vivenciando para compreender o presente. A análise da história determina o que se tem de registro sobre a memória individual e coletiva, pois esta é não somente uma conquista, é também um instrumento e um objeto de poder. São as sociedades cuja memória social é sobretudo oral ou que estão em vias de constituir uma memória coletiva escrita que melhor permitem compreender esta luta pela dominação da recordação e da tradição, esta manifestação da memória (GOFF, 1990, p. 250).

        Destarte, é fundamental que o professor estimule a busca da exploração dos fatos registrados na memória dos alunos como forma de valorização daquilo que eles trazem sobre suas próprias famílias e histórias. Segundo Goff (1990, p. 250),

     A memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje.

     Nesse sentido, cabe uma reflexão acerca das transformações das configurações familiares, por meio de um resgate histórico de como esses grupos se organizavam para que haja a compreensão da forma como as famílias se configuram na atualidade.

    

      Portanto, com a intenção de diminuir o preconceito, e proporcionar uma visão mais ampla dos alunos, é pertinente que eles reconheçam as diferentes formações familiares por meio da exploração da fotografia, (re)construindo, assim, esse conceito.  

 

     Sugiro a leitura dos materiais referenciados abaixo:

ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Guanabara, 1981.

GOFF, Jacques Le. História e Memória. Campinas: Editora da Unicamp, 1990.

HINTZ, Helena Centeno. Novos tempos, novas famílias? Da modernidade à pós-modernidade. Pensando famílias, v. 3, p. 8- 19, 2001. 

 

KOSSOY, Boris. Os Tempos da Fotografia. São Paulo: Ateliê Editorial, 2014.

KNEBEL, Anelise Graziele. Novas configurações familiares: é possível falar de constituição familiar desde a relação multiespécie?. 2012. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Psicologia) - Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul, Santa Rosa, 2012.

 

LIMA, M. H. C. C. A. Animais de estimação e civilidade: a sensibilidade de empatia interespécie nas relações com cães e gatos. 2016. Tese (Doutorado em Sociologia) – Universidade Federal de Pernambuco. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Recife, 2016.

 

ROMANELLI, Geraldo. Autoridade e poder na família. In: DE CARVALHO, Maria do Carmo Brant (org.). A família contemporânea em debate. 5.ed. São Paulo: Cortez, 2003. P.73 - 88.

 

ROUDINESCO, Elisabeth. A família em desordem. Tradução André Telles. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

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